Vera Cruz e Itaparica

? ºC Itaparica - BA

Crônicas da Ilha do Sol

E a cidade de Vera Cruz está em festa...

*Por Thaís Cunha

No dia 31 de julho o município comemora a sua emancipação e como em todos os anos a cidade se anima para comemorar essa data tão importante. Ela está chegando a melhor idade, completará 55 anos.

Os tempos áureos de Vera Cruz se confundem com os tempos áureos da Ilha de Itaparica, que na década de 80 era o lugar mais badalado para passar os fins de semana, bem como as férias de verão.

Quem nunca se gabou de ter uma casa ou um amigo que tinha casa em Mar Grande, Barra do Gil ou Cacha Pregos para veranear, que atire a primeira pedra.

Vamos lá... Duvido que encontre praias tão calmas como as que se encontra nos contornos da Ilha, especialmente em Vera Cruz, que tem uma costa com mais de dez praias.  A Ilha é cercada de pedra, o que dá maior tranquilidade para as famílias com crianças e idosos, assim como possibilita a prática de esportes como stand up paddle, caiaque e wind surf para os jovens.

Não adianta procurar que, próximo a Salvador, água mais azul que a da Praia da Penha não há, assim como não há passeio de barco mais relaxante como o que é possível fazer de Caixa Prego até a Ponta dos Garcês, além das visitas a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Conceição, e de Nosso Senhor de Vera Cruz, na estrada de Baiacu e a própria Vila de Baiacu.

Usar a dificuldade de chegar na ilha não cola, porque visitar lugares bonitos tem seu preço e até mesmo encanto. Nada que um bom planejamento não resolva.

Eu sei que ela andou meio em baixa, para não dizer fora de moda por causa da linha verde, mas o seu brilho nunca se apagou e hoje ela renasce mais forte do que nunca.

A festa de emancipação política de Vera Cruz esse ano será abrilhantada por uma série de eventos esportivos e inaugurações de obras, mas a mais esperada é, sem sombra de dúvidas, a do dia 30 de julho, domingo, com a reinauguração da Praça de Mar Grande, porta de entrada da cidade pelo mar e ponto de encontro de nativos e visitantes, além da música embalada pelo cantor Saulo e a banda É o tchan.

Quando festejamos nosso aniversário, encerramos um ciclo e iniciamos outro com mais esperança e alegria. E é nisso que hoje moradores e veranistas estão crendo, num município atento aos seus, disposto a acolher os seus visitantes com o carinho e a atenção que só o baiano tem.

*Thaís Cunha - Soteropolitana, adoradora do mar e admiradora da natureza, ama animais, conhecer lugares, pessoas e gastronomia. Escreve para o blog www.inquietudebrasileira.com.br


Viva o Dois de Julho !!! Viva a Itaparica, cidade guerreira!!!

*Por Thaís Cunha

Após um São João danado de bom e um São Pedro de fechar as portas do céu, a Bahia ainda consegue tempo para comemoração. Desta vez é a festa de sua independência no tão querido dois de julho.

Nesta data, no ano de 1823, a Bahia finalmente deu por encerradas as batalhas com os portugueses. Você deve estar se perguntando: A independência do Brasil não foi em 07 de setembro de 1822? Como a da Bahia pode ter sido em 1823?

Pois é, a data de 1822 foi apenas um dado oficial e que não reflete o que ocorreu na prática com os portugueses que não queriam largar o doce de jeito nenhum, e demoraram para se darem por vencidos.

Sim, mas o que a Ilha de Itaparica tem a ver com isso?

Tem tudo a ver, afinal a cidade de Itaparica, assim como Cachoeira e Salvador, foi palco de inúmeras batalhas entre itaparicanos e portugueses.

Assim como Minas teve a inconfidência como movimento de resistência, a Bahia não ficou para trás. E digo mais, na Bahia teve a adesão do povo aos ideais liberais e até mesmo negros e mulheres, que eram a classe mais sofrida, passaram a fazer parte dessa luta.

Na Ilha de Itaparica, situada na Bahia de Todos os Santos, assim como no Recôncavo, ficavam recolhidos os cabeças da Conjuração Baiana por que Salvador àquela altura ainda estava sob o domínio português. Após a derrota dos portugueses em 24 de junho de 1822 em Cachoeira, houve a batalha de 07 de janeiro de 1823 na Praia de Amoreiras em Itaparica.

Entre as figuras que lutaram na batalha em Itaparica destaca-se a guerreira Maria Filipa, negra, pobre e marisqueira, que liderou um grupo de mulheres que, armadas de facão e galhos de cansanção, botaram os portugueses para correr das praias de Itaparica.

O sucesso dessas batalhas que antecederam o dois de julho não pode ser esquecido, tendo em vista que foram importantes para fortalecer os baianos na luta contra os lusitanos que findou na batalha de Pirajá em dois de julho.

Engraçado que quando aprendemos na escola sobre a Independência da Bahia, passamos batido quando mencionam a Ilha de Itaparica e só nos damos conta quando passamos a ter consciência de como é importante valorizarmos nossas raízes e nossa história e nos orgulharmos dela.

Então, quando voltarmos a visitar a Ilha de Itaparica, a enxergaremos com outros olhos, com olhos de orgulho de uma terra de guerreiros. O dois de julho deve deixar de ser entendido como apenas mais um feriado após os festejos juninos, mas como um dia a ser lembrado de maneira especial.

*Thaís Cunha - Soteropolitana, adoradora do mar e admiradora da natureza, ama animais, conhecer lugares, pessoas e gastronomia. Escreve para o blog www.inquietudebrasileira.com.br


Borboletas no meu jardim

*Por Thaís Cunha

Viajar é tudo de bom, mas nada melhor do que ter para onde voltar, não é mesmo?

E assim volto das férias e para o calor de minha terra, a minha tão amada Ilha de Itaparica. No lado de cá recarrego a bateria para aguentar o estresse do dia a dia, o trânsito difícil e a irritação de quem não sabe o que é de ter micos, sariguês e borboletas em seu jardim.

Quem não respira o ar mais puro como eu respiro, não se banha nesse mar quente e calmo e não tem a linda Salvador para apreciar durante a noite não pode entender.

Do lado de cá temos muitos problemas com pessoas, com dinheiro e com quem administra o dinheiro, mas tentamos viver a vida de uma maneira mais terna, simples e menos seca.

Do lado de cá aprendemos a não ter medo do mar, mas respeito. O que significa saber agir no momento certo, ser persistente, mas cauteloso. Entendemos quando a maré não está para peixe e nem para pescador.

O desavisado desconhece o prazer que envolve uma rotina de idas e vindas de barco, admirando o nascer e o pôr-do-Sol.  Basta deixar-se ninar pelo balanço do mar e amolecer com a maresia.

Do lado de cá os vizinhos fazem parte da família e vem jantar conosco. Chamamos pelo apelido o vendedor do mercadinho, o rapaz da van, o poeta e o cantor.

Sim, também somos afetados - e muito - pela crise brasileira e nos indignamos com a corrupção, mas levamos vantagem de morar num lugar onde a vontade da natureza impera e nos equilibra.

Por isso, por mais que reclamemos que nunca conseguimos manter a casa organizada, que a feira está mais cara, que vivemos num calor escaldante e que todos os problemas políticos teimam em se repetir, ainda assim, não há nada melhor do que voltar para casa.

*Thaís Cunha - Soteropolitana, adoradora do mar e admiradora da natureza, ama animais, conhecer lugares, pessoas e gastronomia. Escreve para o blog www.inquietudebrasileira.com.br


Vila de Baiacu: quando o fim pode ser o começo

*Por Thaís Cunha

Outro dia ouvi de um nativo da Ilha que só foi umas duas vezes na vida na Vila de Baiacu. A desculpa, ele mandou de pronto: “Fica muito longe, no fim do mundo”, e assim vai seguindo a vida como a maioria dos brasileiros, sem ter sequer noção do quanto perde por não se interessar por sua história.

Eu sei que deve soar estranho ouvir que uma Vila com nome de um peixe que incha como uma bexiga quando se sente ameaçado, e que está localizada numa zona considerada tão, tão distante, pode ser referência de história.

Bom, devo confessar que o meu primeiro contato com a Vila de Baiacu foi lendo o livro Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro. Ali descobri que aquela vila de pescadores foi chamada inicialmente de Vila de Nosso Senhor de Vera Cruz, onde foi construída pelos jesuítas a segunda igreja matriz do Brasil com o mesmo nome.

Sei que o nome Vera Cruz permeia a nossa lembrança mais remota do período estudantil, remetendo-nos a Ilha de Vera Cruz ou ainda Terra de Santa Cruz, que foi o primeiro nome dado ao Brasil. Sim, os nossos colonizadores portugueses, talvez tentando serem práticos ou por simplesmente pura falta de vontade de pensar em novos nomes, saíram repetindo o nome cruz toda vez que povoaram determinado local.

Bom...com cruz ou sem cruz, a história, com certeza, dá um toque especial ao lugar, principalmente quando nos deparamos com as ruínas da igreja que são sustentadas por uma suntuosa árvore chamada de gameleira. A simbiose é perfeita entre as duas, um entrelaçar harmônico e afetuoso que mais parece um verdadeiro caso de amor, onde não se sabe onde começa a igreja e onde termina a árvore, pois são um só.

A Vila? Um lugar lindo e tranquilo onde o tempo passa devagar, com casas simples da população ribeirinha que vive à beira do mangue, fonte de vida e de onde saí grande parte dos mariscos e crustáceos consumidos na grande Salvador.

A vida simples pode parecer entediante ao ilhéu, mas é bastante interessante para o gringo, não é à toa que largam tudo para andar de sandálias de borracha na terra brasílis. Enquanto o baiacu aqui é desprezado, no Japão é vendido a preço de ouro.

 Sim...no fim do mundo há beleza, há história, pulsa vida e existe um começo.

*Thaís Cunha - Soteropolitana, adoradora do mar e admiradora da natureza, ama animais, conhecer lugares, pessoas e gastronomia. Escreve para o blog www.inquietudebrasileira.com.br

 


O paraíso é logo aqui

Valorizar a prata da casa é sempre a opção mais inteligente

*Por Thaís Cunha

Aí você decide fazer um passeio para um lugar bonito, mas que não seja muito longe ou muito caro. Em tempos de crise qualquer realzinho não gasto dá uma incrível sensação de alívio, nem que seja para dar uma aula de economia doméstica entre amigos.

Bom, o local escolhido foi a Ilha de Itaparica, que com toda a dificuldade, a troncos e barrancos, mantém-se linda, mesmo quando muitos querem esquecê-la como destino turístico, deslumbrando-se com as modas que lhes são impostas.

Itaparica, que é a maior das cerca de 56 ilhas da Baía de Todos os Santos tem uma localização privilegiada, fica de frente para Salvador, sendo inclusive utilizada como ponto de passagem para outros destinos. Baía esta que como todos os seus santos, encantos e axé foi recentemente considerada uma das mais belas do mundo.

Um mais informado então lembra que a Ilha tem dois Municípios - Vera Cruz e Itaparica - com duas administrações diferentes. O que é muito estranho já que é impossível conhecê-la verdadeiramente sem cruzar os dois Municípios. Vera Cruz é mais gulosa e ocupa mais de 80% da área, enquanto Itaparica não chega nem a 20% de extensão.

Fica então fácil de entender porque o comércio se concentra em Vera Cruz, mas especificamente em Mar Grande. Em Vera Cruz também está a maioria das belíssimas praias como a bucólica Penha, com sua charmosa igrejinha e uma enseada com água azul que faz você se sentir nos Caribes, sem sair da Bahia. No Município também tem a Vila de Baiacu, local onde habitam pescadores e marisqueiros, onde estão as ruínas da Igreja de Nosso Senhor de Vera Cruz uma das primeiras igrejas do Brasil e Cacha Pregos que por um lado tem uma paradisíaca praia e de outro um maravilhoso manguezal.

E quanto a pequenina Itaparica? O que ela tem de especial? Ah...a história e a cultura lá se concentram, a cidade respira poesia, nas igrejas, no Forte de São Lourenço, além de ser a terra natal do acadêmico João Ubaldo Ribeiro, sem falar do belíssimo pôr- do- Sol na Misericórdia. Misericórdia?!? Sim, isso mesmo, grave aí em sua mente e não deixe de ir lá naquela localidade lindíssima cujo nome é exatamente o que a natureza tem por nós ao nos presentear todos os dias com aquela linda bola de fogo descendo atrás das árvores na contra costa.

Para quem insiste em conhecer a Ilha e atravessa seus limites geograficamente estabelecidos, se deslumbra com o que pode ser denominado simplesmente de a Ilha do Sol. Na volta para casa uma conclusão é certa: Vera Cruz não vive sem Itaparica e Itaparica não vive sem Vera Cruz, porque a Ilha é única e o destino é um só. Necessário se faz um trabalho conjunto dos dois Municípios, visando recolocar a Ilha de Itaparica numa posição de destaque como destino turístico brasileiro.

Itaparica é, com toda certeza, satisfação garantida para um passeio, um fim de semana, veranear ou passar as férias. Lá o bom, bonito e barato é inevitável.

 *Thaís Cunha

Soteropolitana, adoradora do mar e admiradora da natureza, ama animais, conhecer lugares, pessoas e gastronomia. Escreve para o blog www.inquietudebrasileira.com.br

 


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